Por: Auris Sousa

Em junho e julho, o Sindicato realizou quatro encontros sobre saúde e segurança, que fizeram parte do 36º Ciclo de Debates, os quais reuniram centenas de metalúrgicos e metalúrgicas e promoveram palestras. O objetivo primordial da ação foi levar informações para categoria sobre cipas, fiscalização trabalhista, acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Subsede de Taboão 

Fernanda Giannasi vê despreparo da fiscalização para analisar assédio

Fernanda Giannasi vê despreparo da fiscalização para analisar assédio

Foi num bate papo na subsede de Taboão, que teve início o Ciclo de Debates deste ano. Com uma fala forte e segura, a médica do trabalho Margarida Barreto mostrou aos companheiros como identificar o assédio moral.

A sobrecarga de trabalho, humilhação constante, apelidos, e até mesmo dinâmicas exageradas podem ser indícios de assédio moral. A pratica pode estar ligada aos fatores organizacionais, estratégias de gerenciamento. “Independente do caso, a empresa é responsável ou corresponsável”, alertou Margarida.

A especialista também alertou que as consequências do assédio moral podem ser graves ao trabalhador, a empresa e até mesmo para sociedade, e por isso a prática deve ser denunciada. Entre as consequências para os trabalhadores, estão: dores generalizadas; dores de cabeça; pressão alta; alteração do sono; Irritabilidade; crises de choro; abandono de relações pessoais; isolamento; depressão; e até mesmo o suicídio.

No mesmo dia, Fernanda Giannasi fez uma análise sobre organização e estrutura do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), sobre seus parceiros, e principais problemas. Entre eles destacou que a pasta “não está preparada para fiscalizar assédio moral” e que “tem quadros [trabalhadores] despreparados técnica e politicamente”. Além disso, destacou que ações em Saúde e Segurança do Trabalho praticamente desapareceram.

Subsede de Cotia

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Médico Paulo Moura orienta trabalhadores a fazerem exames periódicos

No segundo encontro, que aconteceu na subsede de Cotia, os trabalhadores foram orientados a cobrarem a realização dos exames periódicos e a informar todas as queixas quanto a sua saúde. “É importante que tenhamos isso registrado no prontuário do trabalho. Assim, há um histórico”, afirmou o médico do Sindicato, Paulo Eduardo Moura.

Também entrou no debate a Cipa e Cipapel.

Subsede de Barueri

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Luisinho informou a categoria sobre ameaças a norma de proteção a máquinas

Ameaças a NR-12 (Norma Regulamentadora) e direito ao trabalhador ter acesso as informações sobre laudos e pericias foram os pontos altos do debate do terceiro encontro, que aconteceu na subsede de Barueri. “Hoje esta NR, que tem o potencial de evitar acidentes, está sendo contestada pelos empresários, que estão buscando apoio no congresso e pedindo aos deputados seu cancelamento”, alertou Luís Carlos de Oliveira, da Força Sindical.

Luisinho explicou que a justificativa dos empresários para suspendê-la é de que o custo da adequação das máquinas às exigências da NR vai inviabilizar os investimentos na produção.  “A discussão está no Congresso, que pode acatar o pedido [dos patrões] e passar por cima do Ministério do Trabalho. É importante termos conhecimento disso: nossas conquistas correm riscos todos os dias porque pode vir uma nova lei e passar por cima de nossos direitos, visto a manobra feita no caso da resolução da maioridade penal”, comparou Luizinho.

Subsede de Osasco

Advogado Rebouças explicou mudanças em direitos importantes de luta

Advogado Rebouças explicou mudanças em direitos importantes de luta

As dificuldades que o trabalhador enfrenta em relacionar doença e trabalho foram alguns dos assuntos abordados pelo advogado especialista em Previdência, Antonio Rebouças, no encerramento Ciclo de Debates, que aconteceu na sede do Sindicato. Para Rebouças, os trabalhadores precisam reformular sua estratégia em relação a tais ataques. “Temos de encontrar outras formas de luta”, orientou.

Também entrou em debate as Medidas Provisórias 664 e 665 apresentadas pelo governo no início de 2015, as quais determinaram novas regras para acesso ao abono salarial, seguro desemprego, pensão por morte e auxílio Doença. Veja abaixo.

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Já Rogério de Jesus Santos, Assessor da Secretaria de Saúde e Segurança da Força Sindical, reforçou o papel dos cipeiros. “Não é papel da Cipa fiscalizar entrega de fichinha do EPI”, avisou acrescentando que empresa onde há muito EPI indica “a troca de saúde pela permanência dos riscos no processo produtivo”. Santos também falou sobre Cipapel.