Por: Cristiane Alves

O quadro dos acidentes de trabalho nas metalúrgicas de Osasco piorou no último ano. Em média, a cada 13 dias, um companheiro sofre acidente grave ou fatal nas metalúrgicas da região de Osasco. É o que mostra o levantamento realizado pelo Sindicato.

Foram analisados acidentes graves ou fatais ocorridos entre junho de 2014 e agosto de 2015 na base territorial do Sindicato, composta por 12 municípios.

O estudo mostra agravamento no quadro de saúde e segurança nas metalúrgicas da região. Em outro levantamento divulgado em 2014, que tinha como base março de 2010 a junho de 2014, em média, a cada 15 dias um metalúrgico sofria um acidente grave ou fatal.

Entre os fatores que contribuem para o agravamento do problema está a demora do Ministério do Trabalho em fiscalizar os acidentes. A fiscalização leva 18 dias para chegar a empresa, a partir do momento em que é acionada pelo Sindicato. Ao todo, o processo de fiscalização levou 47 dias, nos casos analisados.

Prejuízos para o acidentado: “Passado tanto tempo, fica muito mais difícil de identificar as causas do acidente”, explica o diretor Gilberto Almazan.

Representantes do Ministério do Trabalho conversam com trabalhadores sobre fiscalização

Representantes do Ministério do Trabalho conversam com trabalhadores sobre fiscalização

Fiscalização – Mas, para o Ministério do Trabalho, esse não é um prazo exagerado. É até bom, já que, de acordo com a chefe de fiscalização do Estado de São Paulo, Viviane Forte, é aceitável levar até dois anos para levar um acidente grave, com exceção dos casos em que há morte. “O limite técnico são dois anos porque quase sempre os elementos relacionados a análise de acidente estão ali adormecidos”, afirmou, em reunião realizada com o movimento sindical da região de Osasco, em 25 de setembro, que também contou com a presença da superintendente regional do Trabalho substituta, Vilma Dias

Mas, mesmo que fosse razoável, o prazo levaria a mais outros acidentes. Assim como, de fato, vem acontecendo nas metalúrgicas da região de Osasco. “A fiscalização também é fundamental para a prevenção, por exemplo, para ver se a Cipa funciona, se as máquinas têm proteção coletiva. Enquanto o fiscal não identifica esses problemas, há o risco de acontecer novos acidentes em circunstâncias semelhantes”, alerta o diretor Gilberto.

Sindicatos querem providências – Depois de relatarem a superintendente Vilma Dias uma série de dificuldades, que incluem a falta de fiscalização de acidentes, na região os dirigentes sindicais cobraram providências. Uma delas é a nomeação do chefe regional de fiscalização, já que na Gerência de Osasco o cargo está vago. Cabe ao chefe de fiscalização, por exemplo, dar respostas ao nosso Sindicato sobre as fiscalizações realizadas no âmbito do Programa Metalúrgico.

Implantado em 2010, o programa notificou 99 empresas a cumprir uma série de determinações para a proteção de máquinas e sistemas elétricos. Mas, até o momento, o Sindicato não tem qualquer resposta sobre o andamento desse programa.

A superintendente substituta se prontificou a apresentar as informações disponíveis e propôs trabalho conjunto: “Temos de nos unir, vamos usar inteligência e criatividade”.

Sindicalistas relataram uma série de dificuldades

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