Por: Auris Sousa

 

gramacho-oiA quase um ano do prazo para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, o 5º Seminário sobre o Meio Ambiente realizado pelo Sindicato, em junho no Metalcamp, aponta que o Brasil está atrasado no processo de descarte. Prova disso é que 24 milhões de toneladas de lixo tiveram destino inadequado no país em 2012, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Contra o descarte inadequado, a Política, criada em 2010, prevê conceitos de produção eficiente, responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e logística reversa dos resíduos. No seminário, estas informações foram passadas aos metalúrgicos pela pesquisadora da Fundacentro Maria Gricia, que também explicou sobre o descarte consciente.

Gricia falou sobre resíduos sólidos

Gricia falou sobre resíduos sólidos

“Quando a gente gera e descarta um resíduo, ele não fica só no nosso ambiente. Ele percorre vários outros e afetam diversos seres vivos”, alertou Gricia.

Ciente disso, o metalúrgico da Alvenius José Francisco já descarta seu lixo de forma consciente. “Lá em casa já fazemos este processo: separamos as embalagens, papeis para a reciclagem. Já o óleo é enviado para uma escola que o utiliza para fazer sabão”, explicou.

O companheiro disse que sua família começou a adotar este habito porque se preocupam com o meio ambiente, que vem sendo devastado.

reciclagemLogística reversa
Para Gricia, a logística reversa é uma grande aliada contra a aglomeração de lixos nas ruas e para conscientizar as pessoas da importância de dar um fim útil aos produtos. Na prática, a medida prega a devolução de mercadorias que já esgotaram sua vida útil e retornam do consumidor para o distribuidor ou indústria. Mecanismo que permitindo a reciclagem, reuso ou desmanche de materiais que poderão ser utilizados novamente em outros processos de produção.

“O recolhimento é para que estes produtos sejam reaproveitados e descartados adequadamente quando não tiver mais utilidade, de maneira que não agrida o meio ambiente. Devemos cobrar que isso seja feito”, orientou Gricia.

A pesquisadora defende que todos devem mudar seus hábitos e repensar a produção e consumo em bases sustentáveis. Como também cobrar, que governo, indústrias e distribuidores façam a sua parte. “Temos que começar a fazer cobranças e exigir que a indústria utilizem matérias que geram menos impactos ao meio ambiente. Enquanto cidadãos devemos cobrar isso, além de condições melhores de trabalhadores para os catadores de lixos”, ressaltou.

Como ajudarMedidas para diminuir o impacto do lixo
A conscientização da sociedade como um todo se mostra fundamental frente a mais um dado da Abrelpe, que mostra que, dos 64 milhões de toneladas de resíduos gerados ao longo do ano passado, 6,2 milhões não foram sequer coletados.

Segundo o estudo, o sudeste é a região que melhor destina os resíduos, com 72% do lixo (pouco mais de 70 mil toneladas diárias) enviados para aterros sanitários. Apesar disso, 51% das cidades da região, o equivalente a 854 municípios, não tratam adequadamente os seus resíduos.

Baba falou como Osasco trata o lixo

Baba falou como Osasco trata o lixo

Lição de casa que a cidade de Osasco realiza bem, conforme explicou no seminário o Secretário de Serviços e Obras da cidade, Carlos Alberto Baba. Durante o seminário, ele apontou as ações que a prefeitura toma para diminuir o impacto do lixo no município. Entre elas estão a reutilização: de entulhos de obras para a  construção civil; de óleos para produção de sabão; e de pneus para pavimentação. Segundo Baba, “a Primitiva Vianco foi recapeada com pneus reutilizados”.

Entre as dificuldades encontradas na cidade estão: a contaminação de resíduos sólidos e entulhos de obras, que são contaminados ao serem descartados junto com o lixo comum. Como também, a quase superlotação do aterro controlado da cidade, que todos os dias recebe 20 mil toneladas de lixo, e logo não terá mais condições atender o munícipio.

Thiago apresentou o projeto de arquitetura dos chalés do Metalcamp

Thiago apresentou o projeto de arquitetura dos chalés do Metalcamp

 

Imagem ilustrativa de como proderão ficar os chalés do Metalcamp

Imagem ilustrativa de como proderão ficar os chalés do Metalcamp

Chalés do Metalcamp serão sustentáveis
Durante o encontro, os metalúrgicos conheceram o projeto de obra dos Chalés do Metalcamp e souberam que eles serão construídos de forma ecológica. As informações foram passadas pelo arquiteto Thiago Lopes Ferreira.

Segundo Ferreira, o projeto está em andamento, mas ele já adiantou que os chalés serão construídos com materiais que causam menos impactos ao meio ambiente. “A ideia é fazermos um processo pedagógico, por meio de um canteiro escola, onde será realizado o processo de produção dos materiais”, explicou.

A opção por um projeto sustentável que agrida menos ao meio ambiente é uma exigência da diretoria do Sindicato, que entende a necessidade de buscar alternativas em prol das gerações futuras.

Para isso, Ferreira disse que a Taipa de Pilão – técnica que utiliza terra sem material orgânico – e o telhado verde, possivelmente, serão alguns dos procedimentos adotados nas obras dos chalés.

Preocupação com o Meio Ambiente

Alex da Força e Manguinha foram os idealizadores do 1º Seminário do Meio Ambiene

Alex da Força e Manguinha foram os idealizadores do 1º Seminário do Meio Ambiene

A preocupação do Sindicato com o Meio Ambiente é antiga. Prova disso é que foi a primeira entidade trabalhadora urbana a ter assento no Consema (Conselho Estadual do Meio Ambiente).

A ideia do Seminário sobre Meio Ambiente surgiu dos diretores Manguinha e Alex da Força. “Na época discutíamos ambiente de trabalho, mas não tinha uma interação com o meio ambiente em geral”, explicou Manguinha.

Alex conta que o objetivo era despertar a reflexão dos trabalhadores sobre o tema. Isto porque as indústrias tem uma parcela considerável de contribuição para a poluição. Logo o Sindicato não podia se restringir em cuidar do “trabalhador apenas no local de trabalho, mas também lá fora, e consequentemente a sua família, que muitas vezes tinha contato com os resíduos de produtos químicos que ficavam impregnadas nos uniformes”, explicou Alex da Força.