Por: Auris Sousa

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Cuidar, proteger, faz parte do universo feminino, ainda mais quando ele também é preenchido por filhos.  Por ser praticas tão normais para mulheres, nada mais natural que elas façam parte da Cipa (Comissão Interne de Prevenção de Acidente). Isto porque, além de garra, são naturalmente sensíveis às questões relacionadas a saúde e ações preventivas.

Ainda tímidas, quando se inscrevem no processo seletivo, nem sempre esperam receber o maior número de votos. Quando são eleitas assumem o cargo com a “cara e com a coragem” de quem vai ter que saber informar, orientar e, se preciso chamar a atenção para os perigos eminentes. A tarefa parece simples, mas não é e elas mostram que não fazem feio.

Quando o assunto é saúde e segurança, nada escapa dos olhos atentos de Maria Cristina, cipeira da Dorma

Quando o assunto é saúde e segurança, nada escapa dos olhos atentos de Maria Cristina, cipeira da Dorma

Mãezona
Os pequenos detalhes não fogem dos olhos atentos e curiosos de Maria Cristina de Rezende Firmino. Alerta a tudo, não deixa nem mesmo as folhinhas de alface fora de seu alcance. Se tem alguma sujeirinha, já faz logo as suas observações. “Sou muito cuidadora. Os alimentos não podem ficar de fora do nosso olhar, por isso observo a higiene na alimentação e nos utensílios”, explica ela, que sabe bem os riscos que uma intoxicação alimentar pode causar.

O banheiro também não escapa da fiscalização religiosa da companheira. Ela preza por tudo organizado e limpo, nada de água empossada no chão, para evitar quedas; vasos limpos, para prevenir o risco de doenças por bactérias.

Em seu segundo mandato como cipeira mostra que seu trabalho agradou e o fato de ser mulher não atrapalhou o contato com os homens. “Muitas vezes eles preferem vim até a mim para fazer algum questionamento ou reclamação”, conta.

A presença de Maria Cristina na Cipa colaborou para estreitar ainda mais os laços e dar voz as mulheres dentro da empresa. “As meninas se sentiam constrangidas de passar para os homens alguma reclamação, principalmente em relação a higiene pessoal e alimentação”, observa.

Sueli Aizique é vice-presidenta da Cipa da Dorma

Sueli Aizique é vice-presidenta da Cipa da Dorma

Quebra de paradigmas

A presença de Sueli Aizique na Cipa da Dorma é um exemplo de entrosamento de equipe e de quebras de paradigmas. Ela que faz parte do administrativo da empresa, fez pela primeira vez  parte da comissão em 2003, pela indicação da empresa. Hoje é a vice-presidenta, por ter sido a mais votada entre os trabalhadores. “Foi uma surpresa. É um misto de satisfação e responsabilidade, porque quando você é um membro da Cipa você representa alguém e tem que fazer juz a este proposito”, esclarece.

Delicada ao falar, ela conta que o fato de ter um bom relacionamento com os companheiros da fábrica colaborou com o resultado da eleição. Para manter este contato estreito e eficiência em sua função de cipeira, Sueli dá dica: “Ser cipeira é ter que representar. Lutar pelos direitos, estar atenta a prevenção e a tudo que pode ocorrer. Ser prestativa e antenada nas questões de segurança”, resume.

Em relação à conscientização da empresa e dos demais trabalhadores sobre a importância da prevenção no local de trabalho, ela não hesita. “Nada de impor, porque isso não gera respeito e conscientização. Temos que explicar os riscos que uma determinada situação pode prejudicar a saúde e segurança. Os cuidados devem se tornar um habito e os trabalhadores não podem abrir mão da segurança”, defende.

Em seu primeiro mandato  na Cipa da Aisin, Suzi Dutra pretende fazer a diferença

Em seu primeiro mandato na Cipa da Aisin, Suzi Dutra pretende fazer a diferença

Nada de passar despercebida

Cheia de boa vontade, Suzi Dutra da Silva é a mais nova cipeira da Aisin, de Alphaville. Com um olhar tímido, sorri ao enfatizar que quer fazer a diferença e não passar despercebida. “Não quero ser apenas mais uma que passou. Sou nova [na comissão], estou pegando firme, quero fazer a diferença e trazer melhorias. Não quero ser só mais uma que foi eleita e desfrutar da estabilidade, quero dar resultados”, enfatiza.

Para a jovem ser cipeira é um desafio, porque envolve inúmeras responsabilidades tanto com os trabalhadores, quanto com a empresa. “Sinto-me como um anjo da guarda. Já não sou só a Suzi que bate o cartão de ponto e veste o uniforme. Agora sou algo mais por mim, pelos outros e pela empresa. Tenho mais responsabilidades e garra para cada dia contribuir mais com os trabalhadores”, ressalta.

Com o objetivo de ser uma cipeira atuante, Suzi aposta na organização e no trabalho de equipe junto à comissão. Como também em treinamentos e num olhar atento. “Virou um habito e não uma obrigação. Em todo lugar que eu entro olho bem para ver se encontro algo que pode significar um acidente”, explica Suzi, no fim da entrevista já com um olhar seguro.

Elas no controle – As três cipeiras, cada uma com a sua particularidade, deixam nítida a ânsia feminina de contribuir com a saúde e segurança no local de trabalho e mostram que a participação das mulheres na Cipa se faz necessária.