Por: Revista OI

No peito leva um botton de brigada de incêndio. Sobre a testa os óculos de proteção. No olhar a simplicidade e curiosidade em desvendar e mudar cenários, que podem provocar queimaduras, amputação, sofrimento e até mesmo a morte. Foi desta forma que Cosme Ferreira de Jesus, de 38 anos, um dos quatro cipeiros da ForjaFix, se apresentou a reportagem do OI, para ser o primeiro entrevistado da série “Vida de Cipeiro”.

Cosme chega ao trabalho todos os dias às 5h da manhã. Ele é prensista e colabora com a produção de parafusos e porcas na ForjaFix, em Itapevi. Há quase quatro anos, concilia as suas atividades na empresa com a função de cipeiro. Atento às questões relacionadas à saúde e segurança do trabalho, diariamente fiscaliza a fábrica, orienta os companheiros de trabalho sobre procedimentos que podem evitar acidentes e cobra que eles sejam cumpridos.

“Se algo é feito por algum companheiro pode provocar riscos à segurança eu chamo atenção. Eu e os outros cipeiros exigimos que todos os comunicados sejam atendidos e os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) usados corretamente”, explica.

O cipeiro diz que a forjaria é o setor que apresenta mais riscos a integridade física dos trabalhadores da empresa. “O risco de queimadura é grande, porque o trabalhador está próximo a uma temperatura de até 1.500°C. É necessário ter cuidado e atenção”, enfatiza.

“Se algo é feito por algum companheiro pode provocar riscos à segurança eu chamo atenção”

Cosme Ferreira de Jesus, cipeiro da Forjafix

Comprometido com a Saúde e Segurança

Comprometido com a Saúde e Segurança

Depois vem o setor de laminadora, onde qualquer distração pode provocar amputação dos dedos.

Cipeiro atuante

Nascido em salvador, na Bahia, Cosme entende que fazer parte da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) exige responsabilidade, mas gosta do que faz. Entre as últimas ações propostas por ele na Cipa e passadas para empresa, estão: tampar um buraco de prensa, fazer um toldo no pátio dos fundos da empresa. “Tem um buraco de prensa, de mais de dois metros de profundidade que pode provocar acidentes. Quero que a empresa faça uma base para tampá-lo. Outro ponto importante é a instalação de um toldo nos fundos para evitar que os trabalhadores se molhem nos dias de chuvas”, esclarece.

Além disso, Cosme luta pela construção de mais um banheiro feminino na empresa. Na ForjaFix, as mulheres não representam nem mesmo um terço do quadro total de trabalhadores. Na metalúrgica, elas atuam na limpeza e na cozinha, que fica nos fundos da fábrica. O cipeiro entende as necessidades das companheiras e os problemas de saúde que elas podem adquiri se demorarem a ir ao banheiro. Logo, quer zelar pela saúde delas.

Na ForjaFix, os banheiros femininos ficam apenas na parte superior da empresa, a cerca de 200 metros da cozinha, lugar em que as companheiras passam mais tempo. Já os homens, contam com sanitários nos dois pontos da empresa – frente e fundos. “Não tem condições. Uma pessoa não pode sair correndo para fazer suas necessidades e muito menos segurar a vontade. Ainda mais mulher, que naqueles dias precisam ir com mais frequência ao banheiro”, defende Membro da Cipa, integrante da brigada de incêndio, Cosme demonstra ser um homem que anseia por descobertas e não tem medo das mudanças. Com a intenção de aperfeiçoar seus conhecimentos em saúde e segurança no local de trabalho, faz um curso de técnico de segurança. “O meu foco é implantar melhorias na fábrica pela saúde de todos, e garantir a prevenção de acidentes na fábrica. Estou aqui para apontar mudanças e problemas que existem em beneficio dos trabalhadores”.

“O meu foco é implementar melhorias na fábrica pela saúde de todos, e garantir a prevenção de acidentes na fábrica”

Cosme Ferreira de Jesus, cipeiro da Forjafix

 

Para ele prevenção é a palavra chave de um cipeiro. “Zelamos pela segurança dos nossos companheiros. Preocupamo-nos com eles e não queremos que aconteça algum acidente para que só depois as providencias sejam tomadas. Queremos tudo em ordem antes”, ressalta.

Em casa, a atuação de Cosme não é diferente. Casado e pai de um filho, de 18 anos, já presenciou detalhes que poderiam ter colocado a integridade física de alguém em risco, como o cabo da panela para fora do fogão, chão molhado.