Por: Revista OI

Com olhar sério. Sorriso contido. Voz firme. Claudio Roberto Araujo dos Santos não hesita e logo manda: “Se tiver máquina sem proteção, interditamos”. Segundo ele, quando isso acontece, um comunicado com duas vias é feito. Uma fica na máquina e outra é entregue para o técnico de segurança. “A máquina só volta a funcionar quando o problema é resolvido”, explica.

 

Claudio é firme na conduta preventiva

Claudio é firme na conduta preventiva

Em seu segundo mandato na Cipa da Ficosa, em Jandira, ele é assim: não usa meias palavras e sabe bem qual é o seu papel. “Ser cipeiro não é só estabilidade. É lutar pelos direitos de todos, é garantir que o trabalhador vai desempenhar suas funções num local seguro”, detalha.

Claudio se considera um cipeiro atuante. E também elogia o trabalho dos demais membros da Cipa. Para ele, a maior conquista desta gestão é ter despertado nos outros metalúrgicos mais conscientização. Isto porque, em fevereiro, um grupo de trabalhadoras se recusaram a trabalhar enquanto a empresa não fornecesse luvas brancas novas. “As luvas brancas estavam desgastadas. Elas podiam provocar algum acidente”, relata.

A ideia da paralisação não partiu da comissão. No entanto, o apoio e orientações dados pelos membros contribuíram para o desfecho. “Teve o trabalho dos cipeiros. Se não pegássemos no pé, não saberiam que podiam usar aquilo em favor delas”, considera.

Comprometimento – Ajudar as pessoas e “proteger” a vida delas enche o companheiro de orgulho. Por isso que leva a comissão a sério, tanto que faz questão de se aperfeiçoar. Faz treinamentos e já fez cursos com foco em assédio moral.

Para o companheiro, os cursos e treinamentos são importantes. Mas, para ele, ser uma pessoa correta é essencial para desempenhar bem a função. “Não gosto de coisa errada. Tem que ser uma pessoa direita. Se [alguém se candidata] com intuito de trabalhar tudo bem. Se for para ter estabilidade, nem vale a pena”, avalia

Herói da família – Há oito meses, Claudio foi eleito o herói da família. Centrado e ágil, ele socorreu seu sobrinho, de 5 anos. O garoto havia engolido uma moeda e ficou sem ar. “Salvei a vida dele, graças aos meus treinamentos. Esse costume de ficar de olho e orelha em pé, se torna rotina até na família mesmo, sempre oriento os familiares, e amigos. Você já viu a mangueira do botijão de gás? Ela tem duração de cinco anos, não pode esquecer de olhar”, orienta até mesmo a reportagem do OI.

Claudio é assim. É um homem que tenta ser o mais correto possível. Gosta de ajudar as pessoas e dar conselhos. É um bom ouvinte e tem orgulhoso de ser cipeiro. “Minha autoestima vai lá encima. Deito minha cabeça no travesseiro e durmo bem, porque a minha parte eu faço. Estou tranquilo.”, vibra.

O companheiro se prepara para deixar a Cipa, seu mandato termina neste ano. “Vou ser atuante do mesmo jeito, porque vou desempenhar o meu papel de cidadão: vou denunciar e cobrar meus companheiros, a empresa e quem ficar no meu lugar”, enfatiza.

Isto porque ele é adepto a mobilização. Onde tem organização ele está. Prova disso é que, além de ser cipeiro, é brigadista de incêndio, faz parte das comissões de fábrica e PLR.

Fora do expediente – Nas horas vagas, também trabalha com o olhar: registra tudo que vê por meio de imagens. Com a função de fotografo também mostra a sua sensibilidade e cuidado que tem ao olhar. Neste momento, as funções se cruzam e Claudio não deixa nada de importante passar.